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03/04/2014
Dilemário promove debate nos 50 anos do Golpe Militar
Secom/ Câmara Municipal de Cuiabá
Audiência Pública - 50 Anos do Golpe Militar

“Não podíamos deixar de lado a discussão daqueles anos e de seus reflexos. Esse período mudou e marcou a história do Brasil para sempre. É também um gesto para reafirmar o compromisso do povo cuiabano pela democracia, pela liberdade e pela vida, além de um gesto de gratidão por todas aquelas pessoas que estiveram à frente da luta, para derrubar o regime”, declarou o vereador Dilemário Alencar (PTB) no início da audiência.


O debate ocorreu nesta quarta-feira (20) na Câmara de Cuiabá, com o apoio de diversos partidos políticos, sindicatos, entidades representativas, movimentos sociais e de bairro, com o intuito de mostrar os reflexos da Ditadura Militar, neste momento em que se completam 50 anos do Golpe de 64.


A audiência, que tornou-se esclarecedora e eclética, foi conduzida por diferentes visões, que deram um panorama daquele período marcado por profundas mudanças na organização politica do país.


Miranda Muniz, que é Oficial de Justiça e Secretário de Comunicação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), fez um breve histórico do período, apresentando dados alarmantes, como a estimativa de que 500 mil pessoas foram investigadas durante aqueles anos.


Segundo Muniz, 200 mil pessoas foram presas; 11 mil processadas em auditorias militares; 10 mil acabaram sendo exilados; 1.202 sindicatos ficaram sob intervenção; 245 estudantes foram expulsos de Universidades; além dos mais de 100 militantes políticos desaparecidos até hoje.


O advogado Francisco Faiad, abordou o tema “Os atos de exceção utilizados pelos governos militares”. De acordo com Faiad, “o AI 5, aprovado e promulgado em 1968, veio endurecer definitivamente a ditadura no país, trazendo no seu artigo 2° em diante, verdadeiras atrocidades jurídicas”.


O economista Maurício Munhoz, falou sobre a “Economia nos anos de chumbo” e João Dourado – presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) discorreu sobre a repressão ao movimento sindical e aos trabalhadores.


Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, falou sobre o papel da imprensa na Ditadura e defendeu uma real democratização da mídia. “Cinco ou seis famílias não podem mais controlar a imprensa. A rede Globo foi a maior beneficiária do Golpe. Nós temos que batalhar para que o avanço democrático se estabeleça com a desconcentração da mídia brasileira”, frisou Enock.


A professora Janete Carvalho, que dirige a União Brasileira das Mulheres (UBM), se emocionou e tocou profundamente a todos os presentes com a apresentação de um vídeo, com relatos de algumas mulheres que foram torturadas. Segundo Janete, “para mostrar que não houve nenhum romantismo naquele período e para que a gente não se esqueça”. No vídeo, as mulheres contam com detalhes as torturas físicas, sexuais e psicológicas que passaram, inclusive, algumas delas também tiveram filhos torturados.


Já o ativista cultural, Eduardo Ferreira, que atualmente é Secretário de Comunicação de Várzea Grande, falou sobre como a ditadura sufocou a arte e a cultura e finalizou sua participação, declamando um poema sobre o tema.


O jovem Rarikan Haven, que preside a União Estadual dos Estudantes (UEE) falou sobre a repressão à juventude, que ainda acontece na atualidade. Ele citou como exemplo, o caso dos skatistas proibidos de frequentar a Praça Alencastro, inclusive sob a alegação de que há um decreto que garante esta proibição. Segundo ele, estes jovens “são criminalizados e perseguidos pela polícia”.


O professor Doutor da UFMT, Valério Mazzuoli, que no ato também representou a Reitora Maria Lúcia Cavalli Neder, falou sobre “Os crimes da Ditadura à luz da Corte Interamericana dos Direitos Humanos”, quando defendeu “que sejam sérias e coerentes nossas instituições, pois o Brasil pagou com sangue para ter todas as garantias internacionais e foram nossas mães, pais e avós que fizeram isto para garanti-las”.


Antônio Antero de Almeida, de 81 anos, representou todos os guerrilheiros da época. Jornalista e comunista assumido, Antônio foi perseguido e torturado, mas resistiu ao Golpe. Hoje ele é um exemplo, “não podemos voltar atrás, mas caminhar para o futuro, em busca do melhor. Lutar pela liberdade, pelo consenso e pelo pleno convívio deve ser a nossa meta. Precisamos aprender a conviver com a diversidade para não acontecer a adversidade”, defende.


O professor, poeta e intelectual Moisés Martins, contou como terminou seu mandato de vereador na época, que seria prorrogado sem eleições. “Eu não tinha fuzis ou tanques de guerra, mas tinha a maior arma de todas que era o voto daqueles que me elegeram. Por respeito a isto eu terminei meu mandato”, contou Moisés.


Ao fim das explanações, 15 pessoas foram homenageadas, algumas delas já falecidas, foram representadas pelas suas famílias. Participaram também da audiência os vereadores Onofre Júnior (PSB), presidente em exercício da Casa de Leis, Cido Mendonça (PT) e Leonardo de Oliveira (PTB), que representou a família do tio, Dante Martins de Oliveira. O ex-governador foi um dos homenageados pela luta pela redemocratização do país, durante seu mandato como Deputado Federal, quando conduziu o movimento “Diretas Já”.


 

Luciana Oliveira Pereira


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